A partir da inscrição de filmes e de uma lista geral pensada e pesquisada pela equipe de produção da Mostra,
criamos uma lista de filmes para análise da comissão organizadora da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição Quilombola, possa assistir e julgar os filmes para montar a programação.
Antonieta de Barros (1901-1952) foi professora, cronista e feminista. Em 1935, tornou-se a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no país. O curta documental Antonieta (SC, 2016) da cineasta Flávia Person emociona e informa.
O filme “Caminhando com Antonieta de Barros” é um curta metragem que aborda as vivências de Antonieta de Barros e sua relação com o espaço urbano de Florianópolis, e suas transformações ao longo do tempo. Professora, escritora, mulher negra filha de ex-escravizada que se tornou a primeira deputada negra de Santa Catarina e do Brasil, sua história de vida e sua relação com o espaço urbano são os fundamentos para esta produção, que visa se tornar mais um meio para fortalecer o trabalho com a educação patrimonial e com a educação das relações étnico-raciais.
Este filme foi produzido com fomento do Edital Câmpus da Cultura da UDESC no ano de 2022. A proposta é oriunda das ações conjugadas do Programa Memorial Antonieta de Barros com a ação de extensão “Caminhando com Antonieta de Barros: Narrativas de resistências e ancestralidades” coordenada pela técnica universitária Maria Helena Tomaz e as ações do Programa “Memória e Patrimônio” com a ação de extensão “Itinerários de Educação Patrimonial”, coordenada pela técnica universitária Marilane Machado de Azevedo Maia. A produção teve a participação de Giselle Marques como atriz e produtora, Chico Caprario como Diretor e produtor e Guimará como Compositor e diretor musical, além de estudantes da UDESC, bolsistas dos projetos envolvidos na proposta.
digite a senha para assistir ao filme: wal
O povo Laklãnõ era um povo arredio, bravo, que flechava mesmo. Seu território era o Sul do país. Perseguido pelo Estado, por bugreiros e colonizadores, dizimado por doenças e mudanças no seu modo de vida, foi praticamente extinto. Após o contato com os não indígenas, em 1914, ficou restrito a uma reserva no Alto Vale do Itajaí, hoje Terra Indígena Laklãnõ. Vãnh gõ tõ Laklãnõ não tem tradução literal, significa algo como Resistência Laklãnõ, resistência mostrada e conduzida no filme pela arqueóloga Walderes Coctá Priprá. O documentário reconstrói a história do povo e retrata poeticamente o passado, a retomada da língua, o impacto da construção da Barragem Norte, a presença das igrejas evangélicas e a questão do Marco Temporal, do qual o povo é protagonista.
A sensibilidade do povo Guarani em educar as crianças permanece viva apesar das influências da sociedade contemporânea. Mas os caminhos e esforços dos líderes espirituais e professores indígenas são marcados por dilemas, buscas, encontros e desencontros. Este registro todo gravado em Guarani na Aldeia Yynn Moroti Wherá, em Biguaçu, Santa Catarina, no sul do Brasil, comprova: espiritualidade, simplicidade e verdade são palavras que traduzem “a luz” dos Guarani no seu processo de educação.
O filme “Arpilleras” conta a história de dez mulheres atingidas por barragens das cinco regiões do Brasil que, por meio de uma técnica de bordado surgida no Chile durante a ditadura militar, costuraram seus relatos de dor, luta e superação frente às violações sofridas em suas vidas cotidianas. A costura, que sempre foi vista como tarefa do lar, transformou-se numa ferramenta poderosa de resistência, de denúncia e empoderamento feminino. Por meio desse “fio” condutor, cada mulher bordou sua história, singular e coletiva, na respectiva região do mapa do Brasil. No final das filmagens, formou-se um mosaico multifacetado de relatos de dor e superação. Estes bordados, que segundo Violeta Parra “são canções que se pintam”, trazem ao público uma reflexão do que é ser mulher atingida. Se lá, no Chile, é seguir procurando suas memórias espalhadas como grãos de areia no deserto, aqui é buscar no fundo dos rios suas vidas alagadas, organizar-se, lutar e resistir.
Sem sinopse
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No ano de 1912, em meio ao caos de uma guerra que aconteceu lá pelas bandas de Rio das Antas, onde os caboclos da região não aceitavam sair de suas casas e resistiram bravamente, Tayna um menino. Ele era um dos soldados que foi enviado pelo governo brasileiro para enfrentar os caboclos que ali viviam. O nome dele era Victor e apresentava e não ser como os outros, pois parecia não querer estar lá no meio daquilo tudo que estava acontecendo. Ele era jovem, de cabelos escuros, e quando ia pegar água eu sempre o via sentado às margens do Rio do Peixe…
Crianças do Espírito Santo conversam de um jeito divertido sobre como é a vida em uma comunidade quilombola e em um morro na cidade de Vitória. Por meio de uma genuína brincadeira infantil, os dois grupos falam de suas raízes e desvelam o quanto a infância tem mais semelhanças do que diferenças.
Se nosso objetivo é acrescentar mais alguns pontos na história oficial é melhor não cutucar aquilo que está estabelecido. Se pretendemos olhar pra manifestações culturais apenas pela sua riqueza estética, rítmica e por um suposto exotismo religioso, é melhor que continuemos na banqueta de uma plateia como se tivéssemos contemplando um espetáculo.
Como se corpos fossem objetos e como se práticas fossem acervos a que podemos recorrer sempre que necessário, sempre que for preciso justificar a ideia de Estado-Nação. Se quisermos ler tudo pela lente eurocêntrica da Representação; o rei, a rainha, o capitão estão ai a disposição de um enredo fictício e fantasioso da cegueira analítica. Como se trajetórias históricas inteiras pudessem ser movidas apenas pela reação ou, ouso dizer, pela imitação do hegemônico.
Agora, se só por um momento mudarmos as lentes da lupa, ajustarmos os óculos, redirecionarmos os binóculos. Se abrirmos o corpo, a alma os sentidos e nos lançarmos sem rede de amparo… aceitando as consequências de uma queda livre naquilo que ouso chamar de Histórias possíveis. Mas que em suma nada mais é que uma queda no tobogã incerto do tempo que não respeita periodização. Perceberemos que os outros mundos sempre estiveram aí, presentes, a disposição dos seus. A disposição daqueles que veem África não como um problema, mas como um antídoto para a doença chamada Eurocentrismo. “É a fé, é o amor é a liberdade que a gente tanto procura”… É a força da Encantaria que anima, movimenta e mantem viva a chama do Quilombo.
As Contas do Rosário, que silenciosamente tercem nas periferias o fazer cotidiano, tem muito, tem tanto a ensinar para o Brasil que nem cabem nesse filme.
Em 1930, Marcos e seu grupo de descendentes de escravizados saíram do Vale do Jequitinhonha rumo ao Vale do Mucuri. Fugindo da seca, da fome e da violência no campo, os quilombolas buscavam uma novo território para construir sua comunidade. Dos tempos do desbravamento aos atuais, a história de luta por água e terra protagonizada pelos moradores do Quilombo Marques, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais.
Na região de Seara, no Oeste de Santa Catarina, os herdeiros do “cacique teimoso” João Maria Rodrigues lutam pelas terras do TOLDO PINHAL, antes ocupadas pelo seu povo e tomadas pela frente colonizadora nas décadas de 1950 e 1960. A articulação entre diversas terras indígenas e a valorização da cultura dos povos originários tem fortalecido o movimento.
Parte da série de quatro episódios “KAINGANG”
Clique no Link ao lado: https://vimeo.com/566320475
A língua guarani não diferencia cultura de ecossistema, é tudo o sistema da vida e também um modo de ensinar. Explorando esta ideia o doc Nhandereko – comida e educação viajou de sul à norte do Brasil junto a educadores do Slow Food Brasil, interagindo política e poeticamente com realidades que conectam alimentação, educação e transformação socioambiental. Comunidades tradicionais e de periferia urbana, acampamentos e assentamentos da reforma agrária, restaurantes, sítios agroecológicos, pontos de cultura alimentar, mercados, todos vistos como espaços educadores. Microrrevoluções que se apropriam do sistema alimentar como um caminho repleto de veredas para se ensinar de forma emancipatória e atraente, imersas num contínuo e sensorial processo educativo que têm na experiência e no afeto fontes sutis e potentes de transformação.
digite a senha para assistir ao filme: pneag3322
Alunos de uma escola rural situada em território onde aconteceu a Guerra do Contestado, criam e apresentam uma peça de teatro dentro de uma igreja de madeira, típica do período do conflito, quando 11 igrejas que serviam de refúgio para mulheres e crianças, foram queimadas pelo Exército e por aqueles que se diziam donos das terras.
As mulheres do Movimento de Mulheres Camponesas no oeste de Santa Catarina e a relação com a terra e o resgate das sementes crioulas.
Conhecido como São João Maria, Monge ou Profeta João Maria no sul do Brasil, o italiano Giovanni Maria de Agostini aportou na América no final do século 19 e cruzou o continente a pé ou de canoa, se auto denominando solitário eremita. Viveu em cavernas e locais de difícil acesso e por muitos lugares por onde passou, deixou uma herança de fé, propagou conhecimentos sobre ervas e ensinou uma religiosidade simples, bem distante dos dogmas da Igreja. “A maravilha do século” é uma busca por essa trajetória – parte dos caminhos trilhados e parte dos testemunhos de fé que permanecem vivos, passados mais de 150 anos de sua morte.
A mudança para um novo bairro faz Sansara perceber a existência de uma comunidade de universitários africanos vivendo perto de sua casa. Curiosa para saber quem são seus novos vizinhos, ela vai ao encontro deles para ouvir suas histórias, conhecer suas origens, seus sonhos e desafios no sul do Brasil, na cidade de Florianópolis. Durante esses encontros, a jornalista conhece jovens de países como Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Além de entrevistá-los, ela deixa uma câmera com eles para que registrem seu cotidiano e suas impressões sobre o Brasil. O resultado é um dinâmico diálogo de ideias e imagens que revelam diversos aspectos da vida desses estudantes dentro e fora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Ao som de caixas, pandeiros e bumbos, mulheres e homens de todas as idades cantam, tocam, batem palmas, dançam, recriam as tradições e recontam sua própria história na Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra.
O filme se passa nos tempos de cativeiro, com a vida sofrida dos negros trabalhando aos olhos do Feitor. Um sonho cheio de alegria e união. Um sonho de liberdade de um negro, que acorda com a dor de uma chibatada, mas que ainda assim espera sua libertação.
Quilombo de Conceição das Crioulas, Salgueiro, sertão pernambucano, nordeste do Brasil. Um filme sobre o invisível.
Um paraíso para os olhos, a frase define o lugar de destino da personagem, A Terra Sem Males. Depois de caminhar por florestas e ruínas, ela percebe que aquele território foi erguido sobre o sangue de muitos povos. Esse conhecimento poderia deixá-la paralisada, criar medo, mas inspira atos de coragem.
O vídeo apresenta depoimentos de Sobreviventes de Taquaruçu – Guerra do Contestado. O video foi gravado e produzido em 1986 aproximadamente. Como estava em fita cassete, sua conversão teve a qualidade de imagem regular. Mas é um excelente material de acervo histórico.