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Mostra exibe seleção de filmes na Comunidade Remanescente do Quilombo Invernada dos Negros

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A Comunidade Remanescente do Quilombo Invernada dos Negros recebeu a mostra de braços abertos e ainda estamos processando a noite de sexta, 14 de jullho. Exibimos seis filmes, sendo três deles produzidos pela própria comunidade durante a oficina de cinema “O minuto que foi” ministrada pelo cineasta Yasser S. González, no mês de maio, e entregamos os certificados de participação da oficina. Foi uma noite histórica de muita emoção, diálogo e trocas. Agradecemos a comunidade pelo carinho e recepção. Já estamos com saudade. Agradecemos especialmente à Elizabete Aparecida De Lima Fagundes pelos esforços para que a sessão acontecesse. Deixamos aqui um gostinho do que foi a sessão.

Fotos por Janela Verde fotografia

A mostra também acontece online durante o mês de julho e você pode assistir da sua casa e gratuitamente aos 28 filmes que compõem a programação. Acesse chicapelega.com.br, clique em assistir e faça login!

Mostra realiza noite de cinema no Centro de Educação de Jovens e Adultos de Campos Novos

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A primeira noite da mostra presencial em Campos Novos, no dia 13/07, foi exclusiva para estudantes do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Campos Novos (CEJA) e mais uma vez tivemos uma sessão com filmes muito importantes. Finalizamos a noite com uma conversa sobre os conteúdos dos filmes, com o objetivo de valorizar e fortalecer a luta e cultura quilombola de Santa Catarina e do Brasil. Obrigada à diretora Sirlene Chiochetta Rayzer por facilitar essa sessão tão necessária.

Fotos por Janela Verde fotografia

A mostra também acontece online durante o mês de julho e você pode assistir da sua casa e gratuitamente aos 28 filmes que compõem a programação. Acesse chicapelega.com.br, clique em assistir e faça login!

Campos Novos recebe a 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega – contestado em foco

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Na segunda-feira, dia 11 de abril, Campos Novos recebe a Segunda Mostra de Cinema Chica Pelega – o contestado em foco. Serão cinco filmes exibidos durante o dia todo, no Cine Lúmine, que fica na Praça Lauro Muller, no Centro da cidade. A Mostra leva o nome da guerreira Chica Pelega, a  Francisca Roberta, resgatada por meio da memória oral do Conflito do Contestado e também propõem, por meio do cinema, uma valorização da cultura oral do povo caboclo, e uma tentativa de reparação histórica, visto que os livros didáticos – ou a historiografia oficial – pouco fala sobre quem perdeu a guerra – chamada de genocídio  pelo historiador Vicente Telles: “É canhão contra facão, isso é guerra ou genocídio?”. 

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi a guerra civil mais sangrenta que aconteceu na história do Brasil. Naquele tempo, o governo brasileiro entregou uma faixa de terra de 15 quilômetros a cada margem da ferrovia São Paulo X Rio Grande para o capital estrangeiro, liberando a exploração principalmente da madeira, que era farta. As pessoas que ali moravam e plantavam para as suas subsistências foram expulsas de suas terras – as quais não tinham um papel que lhes desse propriedade. E isso dava o direito ao capital estrangeiro de matá-los se fosse preciso para garantir essa posse.

Durante a Mostra, os horários diurnos serão dedicados às escolas públicas municipais e estaduais, que irão assistir a quatro curtas-metragens: Irani, do Rogério Sganzerla (1983), Olhar Contestado, da Fabiane Balvedi (2015), Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014), da Ilka Goldschmidt e do Cassiano Vitorino e Larfiagem (2017), da Gabi Bresola. 

Os filmes,  com curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, são curtas-metragens com duração média de 15 minutos, ideal para sala de aula, questionando as fotografias oficiais da guerra, lembrando rituais dos povos indígenas Kaingang e abordando idioma criado por hervalenses 40 anos depois do conflito para se comunicar na estação ferroviária, a conhecida grinfia ou Larfiagem. 

À noite, o curta-metragem Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014) da Margot Filmes, de Chapecó, abre a sessão. Ele mostra o ritual mais importante daquela etnia indígena, realizado anualmente, para que os falecidos recentes fizessem uma boa passagem ao mundo dos mortos (numbê). 

O Cine Lúmine abre as portas para todos os públicos também para que possam assistir ao longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke. Poe meio do grupo folclórico Renascença Cabocla, de Fraiburgo, devotos de São João Maria – ou joaninos, como são conhecidos – mantêm viva até hoje, a memória dos mortos em combate. O filme traz depoimentos de pesquisadores, é o primeiro de uma trilogia que foi produzido pela produtora Plural Filmes de Florianópolis sobre o conflito do contestado. 

Após a exibição haverá debate mediado pelos convidados: João Maria Chaves dos Santos, integrante do movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST) em SC desde 1984 e de Jilson Souza,  caboclo, educador e comunicador popular e integrante da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC). 

O projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.

SOBRE OS FILMES

terra cabloca posterTERRA CABOCLA

(Marcia Paraiso e Ralf Tambke, 2015, 82m)

Um povo simples, de crenças e rituais tradicionais habita a região do Planalto Catarinense. Símbolos de uma forte resistência cultural, os caboclos enfrentaram uma guerra de extermínio há 100 anos atrás, quando sofreram severos ataques de grandes fazendeiros, do Estado e das oligarquias que estavam de olho nas terras que o grupo ocupava. Apesar da Guerra do Contestado ter quase dizimado a cultura local, o povo caboclo conseguiu se reerguer e mantê-la viva até os dias atuais. 

Cartaz Novo KikiKIKI, O RITUAL DE RESISTÊNCIA KAINGANG 

(Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt, 2014, 34m)

Kiki é o ritual mais importante da etnia indígena. Foi realizado em 2011 na Aldeia Condá Chapecó/SC). De forma cronológica, são mostrados os preparativos na mata e na aldeia. A realização do ritual foi uma tentativa de revitalizar e fortalecer o dualismo Kaingang. O filme mostra, também, como a língua kaingang ainda hoje representa um importante signo dessa cultura, demonstrando que os indígenas mantêm sua identidade apesar da violência do contato com outras etnias.

Cartaz IraniIRANI

(Rogério Sganzerla, 1983 – 8 m)

O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge, a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.

Cartaz OlharContestado mostra cinema chica pelegaOLHAR CONTESTADO

 (Fabianne Balvedi e Fernando Severo, 2012, 15m)

A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos do conflito. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”. “O Contestado ainda é uma guerra cheia de interrogações, cheia de dúvidas, do que realmente aconteceu. Além do importante caráter histórico/documental, o filme se destaca pelo fato de ser aberto (filme e fontes disponibilizados livremente) e ter sido produzido com ferramentas livres.)

cartaz larfiagem mostra cinema chica pelegaLARFIAGEM

(Gabi Bresola, 2017, 18m)

Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d’Oeste (SC), nos anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois,a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora septuagenários, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.