Circuito de Cinema Chica Pelega – edição quilombola passa por sete comunidades remanescentes de quilombos e atinge público de mais de 600 pessoas entre presencial e online. Percurso do Circuito de Cinema Chica Pelega – edição quilombola pelo litoral catarinense foi realizado com recursos do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2023.
Sete territórios quilombolas vão receber a exibição de filmes da programação da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega, que aconteceu em 2023
Chega em maio às comunidades remanescentes quilombolas do litoral catarinense o Circuito de Cinema Chica Pelega – edição quilombola. A programação, dividida nos eixos curatoriais Resistência SC, Quilombos no plural, Visões do mundo ancestral, Memórias vivas, Fazer quilombola e Raízes em cena, traz longas e curtas-metragens de ficção e documentário.
Serão sete sessões em espaços das comunidades de Caldas do Cubatão (Santo Amaro da Imperatriz), Toca/Santa Cruz (Paulo Lopes), Morro do Fortunato e Aldeia (Garopaba), Ilhotinha, (Capivari de Baixo), Maria Rosalina (Araranguá) e São Roque (Praia Grande). A itinerância inicia no dia 8, na comunidade Caldas do Cubatão, e vai até 15 de maio. A participação é totalmente gratuita. (Confira datas, locais e horários em cada comunidade do litoral no final do texto)
O Circuito é um desdobramento da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola. Realizada em 2023, a Mostra apresentou 28 filmes destacando a cultura e identidade das comunidades remanescentes quilombolas de Santa Catarina e do país. Composta por sessões online e presenciais, passou por Fraiburgo, Capinzal, Monte Carlo e CamposNovos, em sete escolas e outros espaços. Além disso, foram realizadas duas oficinas em duas comunidades, ministradas pelo cineasta cubano Yasser Socarrás González, que resultaram nos curtas Luta e resistência, Nos batuques dos tambores: o sonho de muitos e A luta de um quilombola polinário. Os curtas produzidos nos territórios também estarão na programação do Circuito de Cinema.
Dedicada às comunidades do litoral e também do oeste catarinense, onde chegará em junho, a programação do circuito reúne diferentes olhares e perspectivas das populações negras, indígenas e brancas que constituem o caboclo da região do Contestado. Os nomes da Mostra e do Circuito homenageiam Chica Pelega, uma líder cabocla combatente na chamada Guerra do Contestado, que aconteceu entre 1912 e 1916, em Santa Catarina. De acordo com Vanda Pinedo, da comissão de curadoria e do Movimento Negro Unificado (MNU), a intenção foi “ampliar os filmes sobre o Contestado, trazendo outras histórias de figuras negras pelas quais as comunidades se identificam em seus passados históricos e nos acontecimentos presentes, em seus contextos de comunidade e também em suas lutas maiores, nas semelhanças com outros contextos do país”.
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LOCAL, DATA E HORÁRIO DAS EXIBIÇÕES:
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO CALDAS DO CUBATÃO 8 de maio – quarta-feira – 19h Salão Paroquial Frei Hugolino Santo Amaro da Imperatriz/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO TOCA-SANTA CRUZ 9 de maio – quinta-feira – 19h Casa da Verônica e Jorge Paulo Lopes/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO MORRO DO FORTUNATO 10 de maio – sexta-feira – 19h Sala multiuso da comunidade Garopaba/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO ALDEIA 11 de maio – sábado – 19h Sede Aldeia Garopaba/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO ILHOTINHA 13 de maio – segunda-feira – 19h Salão Paroquial da Comunidade Capivari de Baixo/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO MARIA ROSALINA 14 de maio – terça-feira – 19h Comunidade Maria Rosalina Araranguá/SC
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO SÃO ROQUE 15 de maio – quarta-feira – 19h Salão da Comunidade Praia Grande/SC
A primeira parada do Circuito de Cinema Chica Pelega é dia 08 de maio, quarta-feira, na Comunidade Remanescente de Quilombo Caldas de Cubatão, Santo Amaro da Imperatriz/SC. A sessão acontece às 19h no Salão Paroquial Frei Hugolino.
Conheça um pouco da história de Caldas do Cubatão:
De acordo com os relatos de integrantes da comunidade à Fundação Cultural Palmares, seus ancestrais eram africanos escravizados (entre eles Marco Manoel Vieira, Ignácio Antonio da Silva, Francisco Maximiano, Miguel de Souza, Francisco Tolentino Lemos), trazidos para cultivar as terras dos seus senhores e alguns destes especialmente para a construção da estância termal em Santo Amaro da Imperatriz, uma vez que as águas termais foram descobertas no início do século XIX.
Os filhos desses indivíduos nasceram em Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Anitápolis e São José, tendo sido registrados em Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz. Como meio de sustento, trabalhavam nas roças, na queima de carvão, na elaboração de artesanato em palha, como empregados domésticos e como lavadeiras. Cultivavam milho, cana de açúcar, café e mandioca, usando engenhos e alambiques de terceiros. Em decorrência das dificuldades de sobrevivência, algumas famílias se dispersaram para outras cidades e seus terrenos foram ocupados por posseiros.
Atualmente a comunidade une esforços e luta incansável pela demarcação das terras pertencentes aos seus ancestrais e em definitivo pela titulação das mesmas. Motivo de muito orgulho, a educação quilombola já é uma realidade na comunidade, apesar das muitas dificuldades enfrentadas desde a sua implantação.
A comunidade é certificada pelo decreto presidencial número: 4887/2003 e portaria da fundação cultural palmares número: 98/2007.
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