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Última semana de Mostra

Vãnh gõ tõ Laklãnõ 2022 still 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023

Estamos nos aproximando do final da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola e muita coisa linda aconteceu. Foram muitas experiências, emoções e trocas vividas nesses dias, tanto nas sessões presenciais como nos contatos que fizemos através do online.

Nessa última semana, um filme em especial entrará no catálogo, o documentário Vãnh gõ tõ Laklãnõ do eixo curatorial Visões do mundo ancestral, que reúne filmes na tentativa de compreendermos elementos significativos do existir e resistir dos povos originários, principalmente dos que vivem em Santa Catarina e que protagonizam lutas contemporâneas como os Laklãnõ no Marco Temporal.

Faça login e assista esse e mais 27 filmes gratuitamente até 31 de julho!

Vanh go to Laklan 2022 cartaz 2

Vãnh gõ tõ Laklãnõ (2022)
Visões Do Mundo Ancestral

Documentário • 25min. • 10 anos • SC
Direção de Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá

Sinopse: Uma arqueóloga, um poeta, um pastor e kujá, uma professora e um rapper remontam a história do seu povo, os Laklãnõ/Xokleng, habitantes do sul do Brasil: o tempo do mato, a quase extinção, a retomada da língua e o protagonismo político contra o Marco Temporal.

Narrativas quilombolas

Sonhos de um negro 2005 STILL 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023

A palavra “resistência” aparece com recorrência na luta da vida de mulheres, negras, negros e quilombolas em nosso país. Nesta 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola traz dois eixos curatoriais dedicados em pensar na multiplicidade do que isso pode significar, são eles Resistências SC e Quilombos no plural com inúmeros exemplos de pessoas que historicamente viveram e os que ainda hoje vivem isso. Antonieta, mulher negra, professora, cronista, feminista que em 1935 se tornou a primeira negra a assumir um mandato popular no país. Pele Negra, Justiça branca, que traz uma mãe negra separada de suas filhas pequenas expondo uma violência empregada pelo Estado que promove a ruptura dos laços afetivos de uma comunidade quilombola. Invernada dos Negros com registros de um reduto de pessoas que mantêm viva a memória e a luta dos escravizados herdeiros de uma antiga fazenda do planalto catarinense. Além do contexto catarinense a mostra deste ano traz também diferentes olhares a respeito das comunidades quilombolas em outros Estados brasileiros para que possamos compreender que mesmo em cenários distantes, a história de lutas são muito próximas, pautando suas visibilidades, fortalecimento da cultura, arte, costumes e religião.

Essas histórias estão em filmes de ficção e documentário que você pode conferir de forma gratuita e online.

Faça login e assista até 31 de julho.

Resistências SC

Antonieta 2022 cartaz 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Antonieta (2015)
Doc • 15min. • Livre • SC
Direção: Flávia Person
invernada dos negros cartaz 1
Invernada dos Negros (2021)
Fic • 21min. • 10 anos • RJ
Direção: Natara Ney e Gilvan Barreto
Pele Negra, JustiCa Branca 2022 CARTAZ  3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Pele Negra, Justiça Branca (2022)
Doc • 27min. • Livre • SC
Direção: Vanessa R.Gasparelo, Cinthia Creatini da Rocha e Valeska Bittencourt
Invernada dos negros 2011 cartaz 1
Invernada dos negros – fotografia e vídeo (2011)
Doc • 29min. • Livre • SC
Direção de Daniel Herrera e André Constantino

Quilombos no plural

disque quilombola 2012 cartaz  3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Disque quilombola (2012)
Fic • 13min. • Livre • ES
Direção de David Reeks
nove aguas cartaz 1
Nove águas (2019)
Fic • 29min. • Livre • MG
Direção de Gabriel Martins
eu sou de la cartaz 2
Eu Sou de Lá (2014)
Doc • 25min. • 10 anos • SC
Direção de Sansara Buriti
A Sussia 2018 cartaz 2
A Sússia (2018)
Doc • 17min. • Livre • TO
Direção de Lucrécia de Moura Dias
Candombe do Acude o passado contado pelo canto Ep 1 Pandemia - Isolamento ou Respiro 2020 danilo candombe 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Candombe do Açude (2020)
Doc • 29min. • Livre • MG
Direção de Danilo Candombe
blackout cartaz 1
Black Out (2016)
Doc • 13min. • Livre • PE
Direção de Crioulas Vídeo e Coletivo Asterisco
As contas do rosario 2020 STILL cartaz
As contas do rosário (2020)
Doc • 22min. • Livre • MG
Direção de Maycol Mundoca e Lugullar
Sonhos de um negro 2005 still cartaz
Sonhos de um negro (2005)
Doc • 8min. • Livre • MG
Direção de Danilo Candombe

Essas relações foram estabelecidas pela Comissão Quilombola de curadoria que além de selecionarem os filmes também participaram da live de abertura com líderes contando mais sobre as comunidades. Abaixo, você pode conferir o ao vivo de abertura da mostra.

Estreia: conheça os filmes quilombolas de Santa Catarina lançados na Mostra

Luta e Resistência invernada dos negros still 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023

Se você já acessou a programação e a lista de filmes da Mostra Chica, deve ter visto a categoria “Fazer quilombola”, nela estão três curtíssimas-metragens de 2023 e são de Santa Catarina. Esses três filmes que estrearam nesta edição da mostra foram produzidos entre maio e junho deste ano a partir da oficina “O minuto que foi” nas comunidades de remanescentes quilombolas Invernada dos Negros e Campo dos Poli. Foram dois finais de semana e algumas horas depois nas quais os participantes assistiram exemplos de produções audiovisuais e compartilharam ideias em coletivo para a produção dos seus filmes.

Quem ministrou a oficina foi Yasser Socarrás González que já havia realizado esse modelo de oficina em Cuba e repetiu a experiência nas comunidades da Serra e meio Oeste de Santa Catarina. No processo percebeu-se a importância do povo como protagonista na frente mas também detrás das câmeras onde puderam imprimir suas ideias subjetividades e escolhas. 

Preparamos videos de making of de cada comunidade, acompanhe como foi:

Fazer quilombola neste título representa tanto o modo de fazer da cultura, de contar história e também de fazer cinema.
Os três filmes resultantes das oficinas que ocorreram como contrapartidas da Mostra, estarão disponíveis até o dia 31 de julho, para assistir gratuitamente na Pupilo, juntamente com outros 25 filmes que também dialogam com diferentes olhares e contextos quilombolas brasileiros.

Faça login e assista!

Luta e resistencia Invernada dos negros 2023 cartaz still
Luta e resistência (2023)
Fazer quilombola

Doc • 3min. • Livre • SC
Direção de Coletivo da oficina “O minuto que foi” Invernada dos Negros, Campos Novos/SC
Nos batuques dos tambores o sonho de muitos 2023 cartaz still 1 cartaz
Nos batuques dos tambores: o sonho de muitos (2023)
Fazer quilombola
Doc • 3min. • Livre • SC
Direção de Coletivo da oficina “O minuto que foi” Invernada dos Negros, Campos Novos/SC
A luta de um quilombola polinario 2023 still cartaz
A luta de um quilombola polinário (2023)
Fazer quilombola

Doc • 4min. • Livre • SC
Direção de Coletivo da oficina “O minuto que foi” Campo dos Poli, Fraiburgo/SC

Mulheres na 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola

a sússia 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023

Honrando a força das mulheres que a Mostra carrega em seu título, neste ano, a curadoria, composta por uma comissão quilombola, reuniu 11 produções que em sua grande maioria são de Santa Catarina para compor nossa programação online. Os eixos curatoriais Raízes em cena e Visões do mundo ancestral agrupam exclusivamente filmes dirigidos por mulheres. Reunimos aqui essa seleção de filmes que você pode assistir gratuitamente.
Faça login e assista até 31 de julho.

A Sussia 2018 cartaz 1 scaled
A Sússia (2018)
Quilombos no plural

Doc • 17min. • Livre • TO
Direção: Lucrécia de Moura Dias
Vanh go to Laklan 2022 cartaz 1
Vãnh gõ tõ Laklãnõ (2022)
Visões do mundo ancestral
Doc • 25min. • 10 anos • SC
Direção: Barbara Pettres, Flávia Person

e Walderes Coctá Priprá
Mbya Reko Pygua A Luz das Palavras 2012 cartaz 1
Mbyá Reko Pyguá – A Luz das Palavras (2012) 
Visões do mundo ancestral
Doc • 19min. • 12 anos • SC
Direção: Kátia Klock e Cinthia Creatini
Kaingang, herdeiros da teimosia 2015 still Sandra Alves 3ª Mostra de cinema chica pelega edição quilombola
Kaingang, herdeiros da teimosia (2015)
Visões do mundo ancestral

Doc • 17min. • Livre • SC
Direção: Sandra Alves
NHANDEREKO comida e educacao 2020 still Gabriella Pieroni Sandra Alves cartaz
NHANDEREKO – comida e educação (2020)
Visões do mundo ancestral

Doc • 60min. • Livre • SC
Direção: Gabriella Pieroni e Sandra Alves
Arpilleras atingidas por barragens bordando a resistencia 2017 CARTAZ 1
Arpilleras (2017)
Raízes em cena
Doc • 105min. • Livre • BRA
Direção: Coletivo de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Pele Negra, JustiCa Branca 2022 CARTAZ  3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Pele Negra, Justiça Branca (2022)
Resistência SC
Doc • 27min. • Livre • SC
Direção: Vanessa R.Gasparelo, Cinthia Creatini da Rocha e Valeska Bittencourt
cartaz novo mundo2 1
Novo Mundo (2020)
Raízes em cena

Fic • 21min. • 10 anos • RJ
Direção: Natara Ney e Gilvan Barreto
Antonieta 2022 cartaz 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Antonieta (2015)
Resistência SC

Doc • 15min. • Livre • SC
Direção: Flávia Person
Mulheres da Terra 2010 cartaz  Antonieta 2022 cartaz 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023
Mulheres da Terra (2010)
Raízes em cena
Doc • 22min. • Livre • SC
Direção: Marcia Paraiso
eu sou de la cartaz 1
Eu Sou de Lá (2014)
Quilombos no plural
Doc • 25min. • 10 anos • SC
Direção: Sansara Buriti
Vale da morte 2022 cartaz 1
Vale da morte (2022)
Memórias vivas
Ficção • 13min. • 14 anos • SC
Direção: Marilia Mingotti, Deiviane Velho
A Maravilha do Seculo 2019 cartaz 1
A maravilha do século (2019)
Memórias vivas
Doc • 87min. • 10 anos • SC
Direção de Marcia Paraiso

Campos Novos recebe a 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega – contestado em foco

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Na segunda-feira, dia 11 de abril, Campos Novos recebe a Segunda Mostra de Cinema Chica Pelega – o contestado em foco. Serão cinco filmes exibidos durante o dia todo, no Cine Lúmine, que fica na Praça Lauro Muller, no Centro da cidade. A Mostra leva o nome da guerreira Chica Pelega, a  Francisca Roberta, resgatada por meio da memória oral do Conflito do Contestado e também propõem, por meio do cinema, uma valorização da cultura oral do povo caboclo, e uma tentativa de reparação histórica, visto que os livros didáticos – ou a historiografia oficial – pouco fala sobre quem perdeu a guerra – chamada de genocídio  pelo historiador Vicente Telles: “É canhão contra facão, isso é guerra ou genocídio?”. 

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi a guerra civil mais sangrenta que aconteceu na história do Brasil. Naquele tempo, o governo brasileiro entregou uma faixa de terra de 15 quilômetros a cada margem da ferrovia São Paulo X Rio Grande para o capital estrangeiro, liberando a exploração principalmente da madeira, que era farta. As pessoas que ali moravam e plantavam para as suas subsistências foram expulsas de suas terras – as quais não tinham um papel que lhes desse propriedade. E isso dava o direito ao capital estrangeiro de matá-los se fosse preciso para garantir essa posse.

Durante a Mostra, os horários diurnos serão dedicados às escolas públicas municipais e estaduais, que irão assistir a quatro curtas-metragens: Irani, do Rogério Sganzerla (1983), Olhar Contestado, da Fabiane Balvedi (2015), Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014), da Ilka Goldschmidt e do Cassiano Vitorino e Larfiagem (2017), da Gabi Bresola. 

Os filmes,  com curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, são curtas-metragens com duração média de 15 minutos, ideal para sala de aula, questionando as fotografias oficiais da guerra, lembrando rituais dos povos indígenas Kaingang e abordando idioma criado por hervalenses 40 anos depois do conflito para se comunicar na estação ferroviária, a conhecida grinfia ou Larfiagem. 

À noite, o curta-metragem Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014) da Margot Filmes, de Chapecó, abre a sessão. Ele mostra o ritual mais importante daquela etnia indígena, realizado anualmente, para que os falecidos recentes fizessem uma boa passagem ao mundo dos mortos (numbê). 

O Cine Lúmine abre as portas para todos os públicos também para que possam assistir ao longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke. Poe meio do grupo folclórico Renascença Cabocla, de Fraiburgo, devotos de São João Maria – ou joaninos, como são conhecidos – mantêm viva até hoje, a memória dos mortos em combate. O filme traz depoimentos de pesquisadores, é o primeiro de uma trilogia que foi produzido pela produtora Plural Filmes de Florianópolis sobre o conflito do contestado. 

Após a exibição haverá debate mediado pelos convidados: João Maria Chaves dos Santos, integrante do movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST) em SC desde 1984 e de Jilson Souza,  caboclo, educador e comunicador popular e integrante da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC). 

O projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.

SOBRE OS FILMES

terra cabloca posterTERRA CABOCLA

(Marcia Paraiso e Ralf Tambke, 2015, 82m)

Um povo simples, de crenças e rituais tradicionais habita a região do Planalto Catarinense. Símbolos de uma forte resistência cultural, os caboclos enfrentaram uma guerra de extermínio há 100 anos atrás, quando sofreram severos ataques de grandes fazendeiros, do Estado e das oligarquias que estavam de olho nas terras que o grupo ocupava. Apesar da Guerra do Contestado ter quase dizimado a cultura local, o povo caboclo conseguiu se reerguer e mantê-la viva até os dias atuais. 

Cartaz Novo KikiKIKI, O RITUAL DE RESISTÊNCIA KAINGANG 

(Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt, 2014, 34m)

Kiki é o ritual mais importante da etnia indígena. Foi realizado em 2011 na Aldeia Condá Chapecó/SC). De forma cronológica, são mostrados os preparativos na mata e na aldeia. A realização do ritual foi uma tentativa de revitalizar e fortalecer o dualismo Kaingang. O filme mostra, também, como a língua kaingang ainda hoje representa um importante signo dessa cultura, demonstrando que os indígenas mantêm sua identidade apesar da violência do contato com outras etnias.

Cartaz IraniIRANI

(Rogério Sganzerla, 1983 – 8 m)

O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge, a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.

Cartaz OlharContestado mostra cinema chica pelegaOLHAR CONTESTADO

 (Fabianne Balvedi e Fernando Severo, 2012, 15m)

A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos do conflito. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”. “O Contestado ainda é uma guerra cheia de interrogações, cheia de dúvidas, do que realmente aconteceu. Além do importante caráter histórico/documental, o filme se destaca pelo fato de ser aberto (filme e fontes disponibilizados livremente) e ter sido produzido com ferramentas livres.)

cartaz larfiagem mostra cinema chica pelegaLARFIAGEM

(Gabi Bresola, 2017, 18m)

Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d’Oeste (SC), nos anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois,a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora septuagenários, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.