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2ª Jornada Cabocla Chica Pelega encerra a programação com 1600 espectadores

Sao Bento do Sul 1

A jornada aconteceu entre os dias 26 e 30 de abril, em 6 municípios da Região do Contestado.

Na segunda-feira (24), aconteceu a livre de lançamento transmitida pelos canais do evento, no Facebook e no Youtube, com a participação do professor Paulo Pinheiro Machado (UFSC), Jilson Carlos Souza, Lu Paes, Jorge Luiz Gonçalves, Gustavo Zardo, Juciara Machuga, além da professora Dandy dos Santos e Roberto Schnemberger.

O evento levou o  espetáculo Natureza Caboclaatuação de Lu Paes e Jorge Luiz Gonçalves, direção e produção de Gustavo Zardo — aos municípios de Tangará, Luzerna, Videira, Fraiburgo, Monte Carlo e São Bento do Sul. Nestes 5 dias, 1600 pessoas puderam conhecer um pouco mais acerca do conflito que ocorreu entre 1912 e 1916 e a herança que ele deixou.

O educador e comunicador Jilson Carlos Souza, organizador do evento, destaca que a Jornada vem se tornando um espaço importante para a valorização e ressignificação da cCivilização e da cultura cabocla do Contestado. 

  • A Jornada Cabocla Chica Pelega foi construída para divulgar o legado deixado pela Francisca Roberta, a Chica Pelega, heroína do Taquarussu do Bonsucesso, e a Resistência Cabocla que enfrentou o Exército da arrogância (polícia militar de Santa Catarina e Paraná, mais os jagunços contratados dos Coronés e da Lamber…)”.

Após o espetáculo, em todos lugares onde passou, houve uma Roda de Prosa, onde as pessoas participaram comentando e debatendo questões com os atores e organizadores sobre o que foi apresentado, além de detalhes da cultura cabocla. Entre os temas discutidos nas Rodas de Prosa, destaque para a criação da Universidade Federal do Contestado (UNIFECON). Jilson explica:

“Há anos vêm sendo debatida por organizações sociais e populares da Região do Contestado, essa proposta foi muito bem aceita em todos os locais apresentados. A avaliação de quem acompanhou as apresentações do Natureza Cabocla é que a construção da UNIFECON, é uma das maneiras de ser paga a dívida histórica que as elites econômicas estaduais e brasileiras têm com a Região do Contestado”. 

Outra novidade que deve ser destacada nesta edição: a criação da nova identidade visual, criada pelo professor/artista Gerson Witte, além da confecção de uma camiseta oficial do evento. 

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Exibição de estreia em Tangará

Abertura em Tangará

Na manhã de quarta-feira (26), a apresentação da peça teatral aconteceu no Clube Rio Bonitense, acompanhada por mais de 200 estudantes e professores do Ensino Médio, superando todas as expectativas dos organizadores.

Finalizada a apresentação, os artistas populares Jorge Luiz Gonçalves, Lu Paes e Gustavo Zardo foram recepcionados pelos diretores Gilson Panceri Junior e Roberto Bohnenberger, no Centro Administrativo da Cresol Meio Oeste — apoiadora do evento.

Luzerna, onde nasceu Chica Pelega

Na tarde do dia 26, o espetáculo foi apresentado no E.E.B Padre Nóbrega, em Luzerna, um local icônico. No tempo do conflito, a região que abrangia os municípios de Ibicaré, Luzerna, Joaçaba, Herval d’ Oeste, Herval Velho e Catanduvas formavam o grande distrito de Limeira. Neste local, nasceu Francisca Roberta, a Chica Pelega, heroína do Taquarussu do Bonsucesso. 

Aproximadamente 200 estudantes das turmas de 9° ano, 1º e 2º ano do Ensino Médio, além dos/as professoras/es assistiram à apresentação. 

“O Espetáculo Natureza Cabocla foi sem dúvida um momento de reflexão política e ativista, uma aula de história, de profissionais comprometidos com a essência da nossa Cultura. Os estudantes e professores ficaram simplesmente encantados com tamanha beleza e sutileza nos detalhes do espetáculo, com as histórias da vida real as quais eles nem conheciam. Se perceberam como sujeitos pertencentes ao território Contestado, o que trouxe  significado para sua existência e entendimento do que são pela sua ancestralidade, infelizmente ainda negada e camuflada”, relata a professora Darlene.

Darling, como a professora é conhecida, lembra que a professora Janete contou, aos prantos, durante a apresentação do espetáculo, que a sua avó era benzedeira.

Em Videira, três sessões

Na quinta-feira (27) de manhã, o espetáculo Natureza Cabocla foi apresentado na E.E.B Esther Crema Marmentini, em Videira, no Vale das Perdizes. A primeira sessão foi destinada aos estudantes e professores da E.E.B Anísio Rachadel de Oliveira (Anta Gorda – Videira) e da E.E.B. Frei Evaristo (Iomerê); já a segunda contou com estudantes e professores da escola anfitriã. À tarde,  mais de 350 pessoas lotaram o Auditório do IFC Videira para prestigiar o espetáculo. A comunidade acadêmica e convidados puderam partilhar conhecimentos a respeito do conflito. 

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Sessão em Videira/SC

Em Fraiburgo: mais três sessões

Na sexta-feira (28), a 2ª Jornada Cabocla Chica Pelega chegou a Fraiburgo. O Auditório do Instituto Federal Catarinense (IFC), foi palco para duas apresentações de Natureza Cabocla. Na primeira sessão,  175 estudantes e professores do Instituto prestigiaram o evento. A segunda apresentação foi destinada a 175 estudantes e professores da Escola Municipal Padre Biaggio Simonetti e do Centro Educacional Fraiburgo (CEFRAI).

“Espetáculo maravilhoso proposto pela Jornada Cabocla Chica Pelega, parabéns Lu Paes e Jorge Gonçalves pela interpretação, Gustavo pela direção, IFC Fraiburgo pelo espaço e Jilson pela ponte entre arte e escola.  Mais incrível seria se a Prefeitura e Câmara Municipal de Fraiburgo trouxessem essa maravilha para todas as escolas e pessoas do município”, comentou a professora Karoline Fin em suas redes sociais.

A noite foi marcada por simbolismo e emoção, a terceira apresentação foi no Taquarussu do Bonsucesso, precisamente no Recanto Caboclo do Grupo Renascença Cabocla. Além dos integrantes do grupo, a sessão contou com a presença dos Quilombolas da Comunidade Campo dos Poli, e moradores/as do Assentamento Contestado e da comunidade do Taquarussu. O local é simbólico, pois foi ali que ocorreram duas grandes batalhas, na verdade massacres do povo caboclo. Entre os mortos estava Chica Pelega.

Sábado em Monte Castelo 

No sábado (29), no Centro de Eventos Ivo Moreira, em Monte Castelo, aconteceu a nona apresentação da peça, dentro da programação da 2a Jornada Cabocla Chica Pelega. Desta vez, a organização ficou por conta da direção, estudantes e professores da E.E.B Valentin Gonçalves Ribeiro

Antes da apresentação, a comitiva esteve na praça ao lado da linha férrea onde repousa o monumento a São João Maria. Depois do espetáculo, o professor Erick Alves, que coordenou os trabalhos, recebeu a organização e equipe do espetáculo para um delicioso jantar ao redor do fogão à lenha.

Encerramento em São Bento do Sul

O encerramento da jornada cabocla chica pelega, é marcado pela emoção. No domingo (30),  a 2a Jornada Cabocla Chica Pelega chegou à Ocupação Alto da Glória, em São Bento do Sul, onde foram recebidos com muita alegria e um delicioso almoço, compartilhando com integrantes da Comunidade e de organizações sociais locais. À tarde aconteceu a décima apresentação do espetáculo Natureza Cabocla. Ao final, a emoção tomou conta do público, dos atores e de todo o coletivo. 

“A ultima apresentação no Alto da Glória, foi emocionante. Pelo contexto de luta, pela recepção que recebemos, pela garoa, pelo sol maravilhoso que apareceu, pelo profundo debate e principalmente pelos relatos e lágrimas do público presente”, comentou Jorge Luiz Gonçalves integrante da Obra Teatral Natureza Cabocla.

Para finalizar, Jilson, organizador do evento, destaca que foi um grande desafio organizar a edição 2023 da Jornada Cabocla Chica Pelega, pois a edição do ano anterior foi via internet e a deste ano foi desenvolvida em seis municípios diferentes: “Levar um Espetáculo Teatral como o Natureza Cabocla, a escolas, Institutos Federais, Espaços Comunitários e Ocupações foi gratificante e ao mesmo tempo completamente provocador, pois a obra teatral foi apresentada em diversos locais, desde auditórios com boa estrutura até em espaços ao ar livre, sem a grande versatilidade dos atores e dos produtores locais, certamente não teríamos alcançado o êxito obtido”. Jilson acrescenta que a Jornada foi construída para divulgar o legado deixado pela Francisca Roberta, a Chica Pelega heroína do Taquarussu do Bonsucesso e a Resistência Cabocla que enfrentou o Exército da arrogância (polícia militar de Santa Catarina e Paraná, mais os jagunços contratados dos Coronés e da Lamber…). “Sem dúvida alguma, a Jornada Cabocla Chica Pelega vem se tornando um espaço importante para a valorização e ressignificação da Civilização e da Cultura Cabocla do Contestado”, comenta.

“Para 2024 os desafios aumentam. Jilson conta que em breve será feita uma reunião para avaliar os pontos positivos e negativos da edição deste ano e começar a pensar a 3ª edição da Jornada Cabocla Chica Pelega a ser desenvolvida no próximo ano”, comenta Jilson Carlos Souza – educador e comunicador popular integrante da coordenação da Jornada.

Sao Bento do Sul 2
Sessão em São Bento do Sul

Números da Jornada Cabocla Chica Pelega 2023

■1.600 espectadores;
■ 09 Escolas beneficiadas;
■ 19 Publicações na página do Facebook;
■ 03 Organizações sociais beneficiadas;
■ 10 Apresentações realizadas;
■ 1.174 Quilômetros rodados;
■ 06 Municípios;
■ 250 Visualização na transmissão ao vivo no YouTube;
■ 04 Entidades organizadoras;
■ 18 Parceiros institucionais ou patrocinadores;

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2ª Jornada Cabocla Chica Pelega percorre 6 cidades do Oeste de Santa Catarina.

Natureza Cabocla ou Raizes e Asas Credito Camila Dutra 5

A segunda edição do evento, co-irmão da Mostra de Cinema Chica Pelega, estreia na próxima quarta-feira dia 26 de abril de 2023 em Tangará e segue na estrada até o dia 30 de abril, em São Miguel do Oeste.

Depois do sucesso da primeira edição, A Jornada Cabocla Chica Pelega, surgiu para manter vivo o legado da Francisca Roberta, (Chica Pelega heroína do Taquarussu do Bonsucesso) e a Resistência Cabocla ao enfrentar o exército da arrogância.

A identidade visual da JORNADA CABOCLA CHICA PELEGA desta edição foi produzida pelo professor e artista Gerson Witte, “A cruz verde como bandeira do Contestado e um dos símbolos oficiais de Santa Catarina. A mulher guerreira com o facão para defender o seu povo. Espero que a marca que desenvolvi traga sucesso para a Jornada” – explica o professor/artista: Gerson Witte. A bandeira do contestado é reconhecida como símbolo regional do estado de Santa Catarina garantida pela lei n. 17.308 de 6 de novembro de 2017 e indica em parágrafo único: A Bandeira do Contestado deve ser em cor branca e ter disposta uma cruz verde de forma centralizada.

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2ª Jornada Cabocla Chica Pelega percorre 6 cidades do Oeste de Santa Catarina. 19

Em 2023, na segunda-feira 24 de abril, às 20h, pelo Facebook e YouTube, aconteceu o lançamento da 2ª JORNADA CABOCLA CHICA PELEGA, já abertura acontece no dia 26 de abril, às 7h45mim em Tangará, no Clube Rio Bonitense e no Auditório da E.E.B Padre Nóbrega em Luzerna às 14h30min. Confira abaixo a live na íntegra. Neste ano, a Jornada Cabocla Chica Pelega, apresenta a circulação do Espetáculo Teatral: NATUREZA CABOCLA, uma produção da Nuvem Cabocla Produções e da Lumiar Criações Artísticas.

Live de lançamento da 2ª Jornada Cabocla Chica Pelega

Live de lançamento da 2ª Jornada Cabocla Chica Pelega

O professor Paulo Pinheiro Machado, que escreveu sua tese de doutorado sobre o território do Contestado e pesquisa o assunto desde os anos 1990, relembra que históricamente o conflito éuma luta da cidadania e pela liberdade do povo brasileiro a longa duração, “desde os quilombos na época da escravidão, das lutas contra a centralização política do império e a luta contra os coronéis da Cabanagel, Balaiada, a luta de Canudos na Bahia, de Pau de Colher e do Caldeirão no Ceará. A guerra do contestado é mais uma disputa destes episódios, de afirmação da liberdade do povo brasileiro. Ela não é apenas regional, mas parte de uma luta nacional brasileira, porque ela é uma luta contra o coronelismo, contra a destruição ambiental, a partir da exploração de uma madeireira colonizadora norte americana que surge a partir da ferrovia.”. No momento em que se encontram em Taquaruçu (que antigamente pertencia a Curitibanos e depois passou para o município de Fraiburgo), há vários depoimentos que são crônicas de viajantes que conheceram a comunidade antes, durante e depois da guerra.

Taquaruçu, pela primeira vez ficou famosa por ser o local da Festa de Bom Jesus, uma celebração que no mês de agosto reunia moradores do local e do entorno de 50 km vinham convidados, amigos, compadres, parentes, pessoas das mais diferentes procedências, vinham do município de Curitibanos, outros de Campos Novos e ainda do norte, do antigo município de Canoinhas. Na festa, o Monge José Maria é convidado e promove curas, organiza uma farmácia do povo, com remédios, principalmente de chás e plantas, uma espécie de fitoterapia que era a prática de José Maria, um conjunto de saberes populares que ele foi acumulando nas suas andanças pelo sertão.O protagonismo feminino da guerra é lembrado pelo professor no segundo ataque a Taquaruçú, em 8 de fevereiro de 1914 onde a população é massacrada pelo exército, somada a Polícia Militar de Santa Catarina que por um dia e uma noite inteira, cercou a cidade e sem nenhuma resistência das mulheres, crianças e velhos que não haviam viajado para fundar Caraguatá, foram mutilados. Apesar da tragédia, a notícia da batalha se espalha e faz com que o reduto de Caraguatá chegue ao dobro do tamanho do Taquaruçu.

Espetáculo-pesquisa Natureza Cabocla ou Raízes e Asas

Sinopse: No meio da floresta de araucárias, dois caboclos brincam de imitar sons de pássaros e mergulham profundamente nas histórias que a natureza sussurra através de uma fogueira. Neste espetáculo,passado e futuro se encontram em um presente pleno de aprendizagem, contando mitos, lendas,histórias e símbolos que existem no inconsciente coletivo das raízes sertanejas catarinenses, e assim discutir a invisibilidade, o racismo, preconceito, a desigualdade social e através do intercâmbio da oratura dar asas às expressões das culturas populares “Contestadas”.

Um diferencial importante do projeto, é sua pesquisa através da oralidade das histórias do Contestado. O material reunido nas pesquisas históricas, sociais, religiosas,mitológicas, sonoras e visuais, em torno da cultura cabocla, culminou em texto e músicas inéditas que buscam dialogar como público num encontro onde passado e futuro se encontram no presente pleno de aprendizagem, contando mitos e símbolos que existem no inconsciente coletivo de nossas raízes sertanejas, e assim discutir a invisibilidade, do racismo, preconceito, a desigualdade social e através do intercâmbio desta oratura da r evidência às expressões das culturas populares “Contestadas

Um trecho do espetáculo pode ser assistido online pelo canal do youtube do IFSC de Caçador. Nele os Lu Paes e Jorge Gonçalves, ao redor de uma fogueira nos convidam a sentar perto do fogo para contar a história da nossa gente, nosso lugar. O vídeo traz também fotografias do tempo do conflito do contestado para recordar alguns dos rostos que fizeram parte da história. (video acima).

Para quem não puder estar presenta nas sessões, pode conferir o espetáculo em vídeo transmitido no dia 11 de agosto de 2021 no programa Cidadania Cabocla.

Ficha Técnica

Direção: Gustavo Zardo
Dramaturgia: Lu Paes
Elenco: Lu Paes e Jorge Gonçalves
Cenário: Lumiar ProduçõesArtísticas e Museu do Contestado
Figurino: Analia Bortolini
Músicas: Jorge Gonçalves (Violão e letra) e Romário José Borelli(letra)
Arte: Deiviane Velho
Produção: Gustavo Zardo


Duração 30 minutos.

Galeria de Fotos

Fotos: Camila Dutra

Programação Completa

Lista de locais e horários das apresentações do espetáculo teatral Natureza Cabocla

Tangará:


Data: 26 de abril (abertura);
Local: Rio Bonitense;
Horário: 8h00min;
Contato: Roberto Bohnenberger.

Luzerna:


Data: 26 de abril (abertura)
Local: Auditório da E.E.B. Padre Nóbrega;
Horário: 14h30min;
Contato: Professora Darlyn.

Videira:


Data: 27 de abril;
Local: E.E.B. Esther Crema Marmentini;
Horário: 8h30min;
Contato: Professora Dandy Santos.

Data: 27 de abril;
Local: Auditório IFC Videira;
Horário: 14h00min;
Contato: Professor Davi.

Fraiburgo:


Data: 28 de abril;
Local: Auditório do IFC Fraiburgo;
Horário: 8h30min;
Contato: Professor Luiz e Professor Rodrigo.

Data: 28 de abril;
Local: Recanto Caboclo (Taquarussu do Bonsucesso);
Horário: 19h30min;
Contato: Professora Alzira Prates.

Monte Castelo:


Data: 29 de abril;
Local: Centro de Eventos Ivo Moreira;
Horário: 19h40min(depois da missa);
Contato: Professor Erick.

São Bento do Sul:


Data: 30 de abril (Enceramento);
Local: Comunidade Alto da Glória;
Horário: 15h00min;
Contato: Jaciara Machuga.

Irani (1983) e a identidade que o cineasta Rogério Sganzerla buscava

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Irani foi o local onde ocorreu o primeiro combate, dando início a Guerra do Contestado, onde o Exército encontrou o povo caboclo, então já unido em comunidade, amparado pelas bênçãos do monge que depois foi consagrado São João Maria, que lhes preparava chás para curar as tantas dores e enfermidades. Por coincidência, o pai de Rogério Sganzerla foi um dos fundadores, construtores: “uma pessoa a qual as pessoas jamais esquecem”. Nas palavras do próprio cineasta, em entrevista à Adgar Bittencourt, no programa Olho Vivo na TV, no extinto Canal 21, de Joaçaba, sua terra natal, em dezembro de 1999. Rogério falava com muito amor sobre este projeto que envolvia o Irani. O curta-metragem era apenas uma parte. Ele parecia não abrir mão deste resgate. 

Eu me sinto lisonjeado e devo repetir que tenho a maior satisfação de ter encontrado, até na Sorbonne, em Paris, estudantes fazendo teses sobre o meu primeiro longa-metragem, O Bandido da Luz Vermelha (1968), e também em outros países. Mas na verdade, eu devo dizer que o filme que eu queria estrear, e que até hoje eu não pude fazer na sua longa-metragem, é o filme  sobre o Contestado, sobre a nossa terra, sobre o Irani.

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Rogério Sganzerla foi crítico de cinema (Suplemento Literário – Estadão, Folha da Manhã, Folha da Tarde) e  obteve reconhecimento mundial no cinema depois como realizador. Sempre defendeu o cinema, a arte, a liberdade de criar. Mas, acima de tudo, amava o seu povo, tinha muito orgulho de ser “um cara do interior” e de guardar traços dessa herança. 

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Nesta  mesma entrevista, dada à TV local da sua cidade natal, conta que passou muitos meses trabalhando neste projeto sobre a Guerra do Contestado, no Irani. Conversando com o Maestro Vicente Telles, a quem admirava. Não queria mostrar só canhões, mas pensava em um processo diferenciado.

Eu tinha conhecido, eu admiro muito o trabalho musical do maestro Vicente Telles. Ele se preocupa em manter os locais onde aconteceram os combates iniciais, no Irani, e este é um projeto que eu acalento desde 1961. Eu queria fazer isso na forma que fosse útil e agradável ao público. Eu queria contar uma história, é uma curva dramática, todos são heróis e ao mesmo tempo, há uma reflexão histórica e tem ligações com o Paraná.

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E então Rogério afirma que este projeto ficou parado por falta de incentivo financeiro. Ele dizia que era para ser feito com investimento vindo de Santa Catarina e do Paraná. Era para ser algo que interessasse até mesmo aos poderes públicos destes lugares para esclarecer o que houve na região. As pessoas deveriam buscar estes esclarecimentos. Saber das origens, da identidade e contemplar esta história que foi feita principalmente de heróis. Não os militares, mas os que se doaram para proteger as suas famílias e buscar algo melhor para as crianças que ficaram esperando em casa as suas voltas. E em nome deles ele acalentou este projeto. 

Para mais informações a respeito do filme Irani (1983), de Rogério Sganzerla, e os outros filmes que estão na 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega, entre na Sessão Filmes.

1ª Jornada Cabocla promoveu encontro de pesquisadores, ativistas e educadores do Contestado​

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Entre os dias 02 e 08 de fevereiro, o Fórum Regional em Defesa da Civilização e da Cultura Cabocla do Contestado proporcionou a 1ª Edição da Jornada Cabocla Chica Pelega. O encontro promoveu a reflexão acerca do Conflito do Contestado, onde hoje é a região do meio oeste catarinense – a partir da construção da estrada de ferro que liga o Rio Grande do Sul a São Paulo. O evento foi transmitido pelo Facebook e YouTube.

O objetivo da primeira edição foi rememorar os dois embates que aconteceram em Taquarussu do Bonsucesso – que antes pertencia a Curitibanos e hoje a Fraiburgo. A primeira batalha ocorreu no dia 29 de dezembro de 1913 e a segunda, mais conhecida como o Massacre do Taquarussu, deu-se no dia 08 de fevereiro de 1914, como narra o jornalista e pesquisador Paulo Ramos Derengoski (Railway do Contestado. Editora Insular, p.40 e 41):


“Na madrugada de 8 de fevereiro de 1914, Aleluia Pires deu ordem de fogo. Depois de alguns tiroteios esparsos com franco-atiradores, os legalistas conseguiram cercar as saídas do reduto de Taquarussu e assentaram metralhadoras nas elevações mais próximas. Durante quatro dias e quatro noites, milhares de granadas explosivas Schrapnell arrebentaram os casebres do acampamento caboclo: homens, mulheres e crianças são rasgados pelos estilhaços. Em meio ao fogaréu a ferro, numa gritaria medonha voam braços, pernas, panelas, armas, santinhos, potes, roupas, chapéus e lascas. A resistência sertaneja desfaleceu em meio aos destroços“.

 

No lançamento da Jornada, o professor Paulo Pinheiro Machado (PPGH – UFSC), uma das maiores referências nos estudos sobre a Guerra do Contestado, relatou como foi o confronto no Taquarussu, destacando os principais personagens que ali estiveram envolvidos. Ele fala a partir das pesquisas realizadas nos documentos oficiais do Exército Brasileiro, no Rio de Janeiro.

No segundo dia teve o lançamento da Rede de Educadores Caboclos e Caboclas, unindo professores que levam a cultura e a história do Contestado para a sala de aula. Participaram da conversa os professores Eduardo Nascimento, Nilson Cesar Fraga e Rogério Rosa, com a mediação do educador Jilson Carlos Souza.

 

 

Na sexta-feira (04/02), houve a apresentação do livro de cordel A batalha de Rio das Antas, escrito pelos estudantes do 8º ano da Rede Pública de Rio das Antas. Os professores Arthur Luiz Peixer (História), Anderson Ferreira (Língua Portuguesa) e Leonardo Guerreiro de Andrade (Artes) contaram como foi a concepção e a produção deste livro que trouxe, além dos textos, fotos dos estudantes recriando a ambientação da guerra.

Sábado foi o dia do pré-lançamento da 2ª Mostra Chica Pelega, que levará cinco filmes sobre o conflito do Contestado aos municípios de Caçador, Curitibanos e Campos Novos, em março e abril desse ano. Serão três sessões em cada local, sendo duas destinadas a estudantes de escolas públicas e outra aberta ao público. Sempre no Cine Lúmine, que é parceiro da VMS Produções e da Pupilo TV, promotores do evento.

O domingo foi marcado pela cantoria. O trovador de São Miguel do Oeste, professor de história e instrutor de violão popular, Pedro Pinheiro, cantou músicas que fazem referência aos cenários, histórias e personagens do Contestado.

Na segunda-feira, a conversa foi sobre o surgimento da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC) e a luta pela terra e preservação dos povos originários. 

O evento contou com a participação da jornalista Claudia Weinman, do professor Jilson Carlos Souza e de Juliana, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que conta sobre o fechamento da Escola Itinerante Estudando e Plantando, no Assentamento São José, em Campos Novos. A escola atende também estudantes do Pinhal Preto e a fazenda vizinha ao assentamento. Após o relato, Emerson Souza fala sobre a formação da APAFEC e a forma de atuação da associação.

A última noite da 1ª Jornada Cabocla Chica Pelega aconteceu na terça-feira (08), quando a professora Karoline Fin falou sobre o Segundo Massacre na Cidade Santa do Taquarussu do Bonsucesso e o assassinato de Chica Pelega.

A 1ª Jornada Chica Pelega foi possível com apoio de diversas entidades como a Escola de Educação Básica 30 de Outubro (Lebon Régis), Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC (Campus Caçador), Associação Hayashi-há Vital de Karatê-dô (Fraiburgo), Pastoral da Juventude Rural – PJR/SC, Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (Fraiburgo), Grupo Renascença Cabocla (Fraiburgo), Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP/SC e Pupilo TV. O evento também contou com o apoio de pesquisadores/as, professores/as e ativistas do Contestado.

Quem foi Chica Pelega

Francisca Roberta, identificada como Chica Pelega, ajudava os feridos da guerra, fazia para eles os chás de ervas que os curavam. A prática foi ensinada pelo Monge João Maria, a quem seguia. Ela morava com os pais em Limeira (Joaçaba) e ficou conhecida por este nome porque, depois de perder o pai, o noivo e a propriedade, na Guerra do Contestado (1912-1916), continuou a combater ao lado dos caboclos, defendendo seu povo, sobrando-lhe de material apenas o pelego do cavalo que ela montava.

Assim, Chica Pelega é transformada através das narrativas populares em um ícone que representa um modelo de conduta e luta de grupos subalternos. A combatente, assassinada em 08 de fevereiro de 1914, no combate do Taquarussu (Fraiburgo), é a síntese da mulher cabocla sertaneja, conhecida como um ser humano comprometido com as causas de seu povo.


Guerra do Contestado

A Guerra do Contestado (1912-1916) aconteceu há 110 anos, sendo uma das maiores lutas de formação territorial da história da humanidade, exterminando mais de 20 mil combatentes, um genocídio dos povos indígena e caboclo por empresas multinacionais com auxílio do Exército, da Polícia Militar e jagunços dos três estados do Sul. 

Na prática, o resultado do conflito foi determinante para a formação do sertão do meio oeste catarinense – Região Vale do Contestado. A desocupação forçada da faixa de terras com 30 quilômetros de largura às margens da estrada de ferro pensada para ligar o estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul, representou o massacre de um povo.


Primeira Jornada Chica Cabocla em números


5.529 visualizações no Facebook;

4.849 comentários, compartilhamento, curtidas e comentários no Facebook;

780 minutos ou 13 horas de material em vídeo e áudio sobre o Contestado;

10 vídeos disponíveis no Youtube

779 visualizações no Youtube;

410 seguidores na página da Primeira Jornada Cabocla Chica Pelega do Facebook;

91 inscritos no Youtube;

20 convidados/as entre pesquisadoras/es, professoras/es, ativistas;

07 atividades educativas, apresentação de livros, música e cinema.

Jornada Cabocla Chica Pelega – Contestado: 110 anos de lutas e resistência

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Jornada Cabocla Chica Pelega – Contestado: 110 anos de lutas e resistência

 

Quem viu Chica Pelega

Viu Chispa de raio clareando no sertão, Crente na fala do monge,
Chica Pelega bradou, monte comadre, 
Traga o afilhado que o tempo de briga é chegado.  

Que o tempo de briga é chegado na cidade santa de taquaruçu: 

Quem viu Chica Pelega,  
Viu fogo no céu e sangue no chão, Crente na fala do monge, 
Chica Pelega bradou, monte comadre, 
Traga o facão, que é pra defender nosso chão.

 Que é pra defender nosso chão na cidade santa de taquaruçu 

Quem viu Chica Pelega,
v
iu rasga mortalha piar no sertão, Crente na fala do monge, 

/Chica Pelega gemeu, monte comadre 
Que importa a morte se o amor que vier for mais forte. 

Se o amor que vier for mais forte na cidade santa de taquaruçu:
Lá vem Chica Pelega vem feito visage ao luar do sertão, 
Vem a cavalo no tempo, na voz do vento a bradar,
monte comadre São Sebastião vem vindo salvar o sertão. 

Vem vindo salvar o sertão na cidade santa de taquaruçu; 

 

(Vicente Telles)

Francisca Roberta, identificada como Chica Pelega, ajudava os feridos da guerra, fazia para eles os chás de ervas que os curavam. Esta prática ela aprendeu com o Monge João Maria, a quem seguia. Ela morava com os pais em Limeira (Joaçaba) e ficou assim conhecida por este nome porque, depois de perder o pai, o noivo e a propriedade, na Guerra do Contestado (1912-1916), continuou a combater ao lado dos caboclos, defendendo seu povo, sobrando-lhe de material apenas o pelego do cavalo que ela montava. 

Desta forma, Chica Pelega é transformada através das narrativas populares em um ícone que representa um modelo de conduta e luta de grupos subalternos. A combatente, assassinada em 08 de fevereiro de 1914, no combate do Taquarussu (Fraiburgo), é a síntese da mulher cabocla sertaneja, conhecida como um ser humano comprometido com a luta.

A Guerra do Contestado (1912-1916) aconteceu há 110 anos, sendo uma das maiores guerras de formação territorial da história da humanidade, exterminando mais de 20 mil combatentes, um genocídio dos povos indígena e caboclos (as) por empresas multinacionais com auxílio do exército, da polícia militar e jagunços dos três estados do Sul. 

Na prática, o resultado da Guerra foi determinante para a formação do sertão do Meio Oeste Catarinense. A desocupação forçada da faixa de terras com mais de trinta quilômetros de largura entre os estados do Paraná e Santa Catarina para a construção da estrada de ferro pensada para ligar o estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul, representou o massacre de um povo. 

Acreditando que a memória não deva ser enterrada, o Fórum Regional em Defesa da Civilização e Cultura Cabocla do Contestado promove, entre 02 a 08 de fevereiro,a Jornada Cabocla Chica Pelega, reunindo pesquisadores/as que estudam este tema. Em virtude das recomendações sanitárias para o enfrentamento da pandemia do Covid-19, o evento será transmitido nas plataformas virtuais (Facebook e Youtube).

“A jornada tem como tarefa fazer com que os dois massacres do Taquarussu não caiam no esquecimento. Especialmente, trazer presente aquele 08 de fevereiro de 1914 quando Chica Pelega foi assassinada.Ninguém vai nos empurrar para baixo do tapete, nos silenciar”, apontou Jilson Carlos Souza, membro do Fórum.

Nessa primeira edição da Jornada Chica Pelega acontecerão debates, lançamento da Rede de Educadoras/es Caboclas/os, exposição de documentários, apresentações musicais e de livros sobre a Civilização e a Cultura Cabocla do Contestado.

A abertura do evento contará com a participação do professor Paulo Pinheiro Machado (UFSC) e no encerramento haverá o pré-lançamento da 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega, que acontecerá em abril deste ano nos municípios de Caçador, Campos Novos e Curitibanos e trará filmes que retratam o conflito.

 

Confira a Programação

02/02 – quarta-feira – 19h30

Lançamento da Jornada

  • O redudo do Taquarussu do Bonsucesso na historiografia do Movimento do Contestado – Jilson Carlos Souza e Paulo Pinheiro Machado (História/UFSC), Claudia Weinman

03/02 – quinta-feira – 19h30

Lançamento da Rede de Educadores (as) Caboclos (as) do Contestado – Construir uma rede de educadores (as) Caboclos (as) do Contestado é importante? – Michelle Silveira, Eduardo do Nascimento, Nilson César Fraga, Rogério Rosa.

04/02 – sexta-feira – 19h30

Lançamento do livro de Cordel A Batalha do Rio das Antas – Arthur Luiz Peixer, Anderson Natan Gonçalves Ferreira, Leonardo Guerreiro de Andrade, Claudia Weinman

05/02 – sábado – 19h30

Pré-lançamento da Mostra Chica Pelega – Contestado em Foco – Coletivo da TV Pupilo, Jilson Souza. 

06-02 – domingo – 19h

Pedro Pinheiro canta em Prosa e Verso o Contestado – Mediação de Claudia Weinman 

07/02 – segunda-feira – 19h30

A construção do Projeto Esporte Bem Legal e o surgimento da APAFEC – Emerson Souza, João Ademir Cancelier, João Carlos Rodrigues, Maria Aparecida Ribeiro Rodrigues Fidelis,  Claudia Weinman, Julia Saggiorato, Jilson Carlos Souza.

08/02 – terça-feira – 19h30

Encerramento – O segundo massacre na cidade santa do Taquarussu do Bonsucesso e o assassinato de Chica Pelega – Karoline Fin, Claudia Weinman.