Tag: pontos de exibição

IBGE realizou em 2022 o primeiro censo para a coleta de informações a respeito da população quilombola

domicilios com pelo menos uma pessoa quilombola1

Em Julho de 2022, o IBGE divulgou os resultados do Censo 2022 – Quilombolas: Primeiros resultados do universo, uma investigação sobre o pertencimento étnico quilombola de pessoas residentes em localidades quilombolas. Este levantamento apresenta um conjunto inédito de informações básicas sobre pessoas quilombolas residentes no País, sobre domicílios particulares permanentes ocupados com pelo menos um morador quilombola e, ainda, domicílios localizados em Territórios Quilombolas oficialmente delimitados. Os dados estão detalhados por Unidades da Federação, Municípios, Amazônia Legal e Territórios Quilombolas oficialmente delimitados. Os povos e comunidades tradicionais foram reconhecidos pela Constituição de 1988. 

A população quilombola do país é de 1.327.802 pessoas, ou 0,65% do total de habitantes. Foram identificados 473.970 domicílios onde residia pelo menos uma pessoa quilombola, espalhados por 1.696 municípios brasileiros. O Nordeste concentra 68,19% (ou 905.415 pessoas) do total de quilombolas do país. Outra constatação é de que apenas 4,3% da população quilombola reside em territórios já titulados no processo de regularização fundiária. Outros 87,4% encontravam-se fora de áreas formalmente delimitadas e reconhecidas.

Dos 5.568 municípios do Brasil, 1.696 possuem população quilombola. Senhor do Bonfim/BA é a cidade com a maior quantidade absoluta (15.999 pessoas quilombolas), seguida por Salvador/BA (15.897), Alcântara/MA (15.616) e Januária/MG (15.000). 

Os estados com as maiores proporções de quilombolas em territórios delimitados são Amazonas (45,43%), Sergipe (45,24%) e Mato Grosso do Sul (44,97%). Os percentuais mais baixos são de Alagoas (1,83%), Minas Gerais (3,38%) e Bahia (5,23%). Já os estados com maior presença de pessoas não quilombolas nos territórios oficialmente delimitados são Paraíba (51,58%), Espírito Santo (45,09%) e Rio Grande do Sul (41,99%). Os menores percentuais estão no Piaui (3,50%), Rondônia (4,33%) e Rio Grande do Norte (5,17%).Nos municípios da Amazônia Legal, encontravam-se 426.449 pessoas quilombolas, o que representa 1,6% da população residente na região e 32,11% do total de quilombolas do Brasil. 

Quilombolas em SC

Santa Catarina

Santa Catarina tem 7.610.361 habitantes. Destes, 4.449 são pessoas quilombolas – o que representa 0,006% da população do estado. Eles estão nos municípios de Abdon Batista; Águas Mornas; Araquari; Araranguá; Balneário Camboriú; Balneário Barra do Sul; Campos Novos; Capivari de Baixo; Cerro Negro; Criciúma; Florianópolis; Fraiburgo; Garopaba; Gravataí; Imbituba; Ituporanga;Joinville; José Boiteux; Palhoça; Palmitos; Paulo Lopes; Pescaria Brava; Porto Belo; Praia Grande; Santo Amaro da Imperatriz; São Francisco do Sul e São José. Para cada 100 mulheres foram encontrados 99,87  homens com a média de idade de 33 anos.

Circuito Chica Pelega de Cinema abre inscrições para Pontos de Exibição

3ª mostra de cinema chica pelega edição quilombola capinzal Janela Verde fotografia

Entre os dias 30 de abril e 21 de maio de 2024 estão abertas as inscrições para os locais que querem receber o Circuito Chica Pelega de Cinema.O Circuito é uma extensão da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola, realizada em 2023, quando se destacou a cultura e a identidade das comunidades remanescentes quilombolas de Santa Catarina e do Brasil. Composto por uma seleção de filmes de longa e curta metragens de ficção e documentário, o Circuito visa promover a reflexão e o debate sobre a importância da cultura afro-brasileira e da luta pela preservação da memória quilombola.

Considera-se espaços adequados para a exibição os cineclubes, associações, institutos culturais e educacionais, escolas, universidades, organizações civis sem fins lucrativos (ONGs) e outro espaços que promovam atividades culturais e abertas ao público que disponha de projetor, sistema de som e internet banda larga.Entre os dias 24 e 31 de maio, define-se a programação para cada Espaço Exibidor, sendo que as sessões devem acontecer no mês de junho.

Sessões disponíveis

Os filmes que estão no catálogo da 3a Mostra de Cinema Chica Pelega podem ser conferidos no site www.chicapelega.com.br  e estão divididos nos seguintes eixos temáticos: 

FAZER QUILOMBOLA – A categoria exibe os três filmes resultantes das oficinas de cinema “O minuto que foi” mediada pelo cineasta Yasser Socarrás González como contrapartida da realização da mostra. As três narrativas trazem, em poucos minutos, questões de vivências dos remanescentes quilombolas no Oeste e Serra de Santa Catarina, produzidos por integrantes das comunidades remanescentes dos quilombos Invernada do Negros e Campo dos Poli.

RESISTÊNCIA SC – Nesta categoria de filmes apresentamos as narrativas catarinenses do passado e do presente que norteam as resistências diárias das populações remanescentes de quilombolas.

QUILOMBOS DO PLURAL – O que é um quilombo? Quem são os quilombolas? Quais os fazeres e saberes que permeiam essas relações? As produções desta categoria de diferentes regiões trazem as realidades diversificadas das comunidades quilombolas espalhadas pelo Brasil.

MEMÓRIAS VIVAS – Como se apagam as histórias de lutas de um povo? Diferentes realidades, muitos indícios, objetos e pessoas que vivenciaram e podem resgatar uma realidade através de suas lembranças. Esta categoria visibiliza pessoas e desdobramentos contemporâneos da Guerra do Contestado.

RAÍZES EM CENA – As lutas pelo bem da coletividade são gestadas, cuidadas e alimentadas como uma criança a ser direcionada para uma vida de prosperidade e alegria. Esta categoria focaliza o papel  das mulheres como genitoras, protagonistas e articuladoras da luta em diferentes cenários.

Inscrições e Contato

Para se inscrever acesse o site https://mostra-chica.thworks.com.br/ponto-de-exibicao ou em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail: producao@chicapelega.com.br  Junte-se a nós e mostre o poder transformador do cinema! Faça a diferença na sua comunidade promovendo acesso à cultura e ao cinema para um público diverso, e promova a valorização da cultura afro-brasileira e da luta quilombola.

Mostra de Cinema Chica Pelega 

A Mostra de Cinema Chica Pelega surge no contexto catarinense, no espaço chamado de Vale do Contestado. Hoje, mais do que nunca, é importante pensar de forma contemporânea no que significam os resquícios não só do conflito do Contestado, mas também do que o antecede, na história colonial do Estado de Santa Catarina.

Além da história do lugar é importante pensar nesse contexto e na ideia da autoidentificação quilombola e cabocla, não como se tivesse meio que escamoteando uma identidade negra ou indígena que permeia no Meio Oeste catarinense, uma região extremamente racista, mas pensar de que forma nós podemos avançar nesse conceito e avançar nessa autoidentificação em todas as vezes que nos deparamos com as falas de indígenas nos contextos que trazem etnia e nas falas de remanescentes de comunidades quilombolas.

O que fica escondido neste codinome de caboclo? O que fica escondido na história? Que é por onde nós, às vezes, olhamos os materiais que apresentam e falam do estado do conflito e que a negritude e povos indígenas e demais povos ciganos não fazem parte deste contexto. Para estar nesse lugar, é preciso que estejamos nele identificados e trazendo o nosso processo identitário também de povos originários e povos africanos.

As identidades indígenas e negras de Santa Catarina foram apagadas e de forma proposital, o que quer dizer que elas não foram simplesmente invisibilizadas, elas foram realmente apagadas, tal como estabelece o pensamento da eugenia e limpeza étnico-cultural. A ponto que quando você chega em um outro estado que não seja da região Sul, as pessoas se espantam: “Como assim, tem quilombo?” “Tem indígenas em Santa Catarina?” “Como as pessoas negras estão colocadas nesse contexto?”

Então, quando encontramos a possibilidade de trazer à tona e de se fazer refletir sobre esse apagamento, esse racismo, essas violências,essas identidades que estão nesse estado, é uma possibilidade de avançar sobre as discussões. É uma possibilidade de colocar no cenário do debate as discussões que foram negadas, violentadas, tudo isso nós que vivemos até hoje. Esses cenários são muito potentes, muito importantes não só pelas questões que marcam o sofrimento dos povos, mas também para retomar práticas, lembrar elementos da cultura, a capoeira, os cantos religiosos, as sabedorias mantidas por pessoas mais velhas. E essa possibilidade aparece aqui utilizando o cinema como ferramenta, como uma linguagem possível para dar visibilidade e gerar conhecimento.

Por isso, criamos a Comissão Quilombola de Curadoria e desenvolvemos um diálogo que pudesse ampliar os filmes sobre o Contestado, já exibidos nas duas primeiras edições da Mostra Chica Pelega, trazendo outras histórias de figuras negras pelas quais as comunidades se identificam em seus passados históricos e nos seus acontecimentos presentes, em seus contextos menores de comunidades e também em suas lutas maiores, nas semelhanças com outros contextos do país.

Comunidades Quilombolas  

Os quilombos surgiram na época da colonização brasileira como resposta à violência praticada pelos portugueses e, depois, por seus descendentes, contra os negros que foram trazidos à força para o Brasil, vindos da África.  Os primeiros registros desse tipo de formação datam da década de 1570. Além da fuga imediata da opressão, o surgimento dos quilombos também foi uma afronta ao sistema escravista que vigorava. Essa organização do povo negro ajudou, mesmo que lentamente, a inviabilizar o sistema escravocrata. As comunidades davam suporte para as rebeliões, incêndios em plantações e resgate de cativos, fatores que ajudaram na busca pela abolição. 

Símbolo da resistência negra no período da escravidão, os quilombos contemporâneos sofrem com o legado de desigualdades deixado pelo período colonial. Isso por causa da falta de acesso à terra e a políticas públicas básicas como saúde e educação. Ao devolver as áreas de acesso à terra, o Incra busca estabelecer um procedimento de justiça e resgate das tradições das famílias que agora retornam às suas terras.

De acordo com dados do IBGE (2022), são 494 territórios quilombolas espalhados pelo Brasil. Apenas os estados do Acre e Roraima não foram identificados quilombolas. Em Santa Catarina, são 4.447 quilombolas habitando em 28 dos 295 municípios do estado.