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Última semana de Mostra

Vãnh gõ tõ Laklãnõ 2022 still 3ª mostra de cinema chica pelega ed quilombola 2023

Estamos nos aproximando do final da 3ª Mostra de Cinema Chica Pelega – edição quilombola e muita coisa linda aconteceu. Foram muitas experiências, emoções e trocas vividas nesses dias, tanto nas sessões presenciais como nos contatos que fizemos através do online.

Nessa última semana, um filme em especial entrará no catálogo, o documentário Vãnh gõ tõ Laklãnõ do eixo curatorial Visões do mundo ancestral, que reúne filmes na tentativa de compreendermos elementos significativos do existir e resistir dos povos originários, principalmente dos que vivem em Santa Catarina e que protagonizam lutas contemporâneas como os Laklãnõ no Marco Temporal.

Faça login e assista esse e mais 27 filmes gratuitamente até 31 de julho!

Vanh go to Laklan 2022 cartaz 2

Vãnh gõ tõ Laklãnõ (2022)
Visões Do Mundo Ancestral

Documentário • 25min. • 10 anos • SC
Direção de Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá

Sinopse: Uma arqueóloga, um poeta, um pastor e kujá, uma professora e um rapper remontam a história do seu povo, os Laklãnõ/Xokleng, habitantes do sul do Brasil: o tempo do mato, a quase extinção, a retomada da língua e o protagonismo político contra o Marco Temporal.

Depois do sucesso da estreia, chegou a vez de Curitibanos receber a 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega

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A 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega teve a sua estreia no dia 11 de abril no Cine Lúmine, em Campos Novos, onde mais de 700 estudantes da rede pública municipal e estadual tiveram acesso a filmes de cineastas e produtores catarinenses com temáticas envolvendo a Guerra do Contestado. Na segunda-feira, dia 18, será a vez de Curitibanos (Cine Lúmine – Queluz – Rua Lages, 17). 

Desta forma, une-se educação e cinema e se começa a pensar a partir do olhar e da percepção de cada um a respeito da sua identidade regional. O Projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.No dia 25, encerra-se o evento, em Caçador. 

A Mostra leva o nome da guerreira Chica Pelega, a  Francisca Roberta, resgatada por meio da memória oral do Conflito do Contestado e também propõem, por meio do cinema, uma valorização da cultura oral do povo caboclo, e uma tentativa de reparação histórica, visto que os livros didáticos – ou a historiografia oficial – pouco fala sobre quem perdeu a guerra – chamada de genocídio  pelo historiador Vicente Telles: “É canhão contra facão, isso é guerra ou genocídio?”. 

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi o conflito civil mais sangrento que aconteceu na história do Brasil. Naquele tempo, o governo brasileiro entregou uma faixa de terra de 15 quilômetros a cada margem da ferrovia São Paulo X Rio Grande para o capital estrangeiro, liberando a exploração principalmente da madeira, que era farta. As pessoas que ali moravam e plantavam para as suas subsistências foram expulsas de suas terras – as quais não tinham um papel que lhes desse propriedade. E isso dava o direito ao capital estrangeiro de matá-los se fosse preciso para garantir essa posse.

Á noite, a 2a Mostra Chica Pelega, juntamente com o Cine Lúmine, abre as portas para o público poder acompanhar a exibição do curta-metragem Larfiagem (2017), da hervalense Gabi Bresola e para o longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke, da Plural Filmes, de Florianópolis.

Durante a Mostra, os horários diurnos já contam com mais de 10 escolas públicas em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e a GERED. Os estudantes irão assistir a quatro curtas-metragens de diferentes décadas com o propósito de unir as atividades escolares e o cinema. Os filmes são: Irani, do Rogério Sganzerla (1983), Olhar Contestado, da Fabiane Balvedi (2015) e Larfiagem (2017), de Gabi Bresola.

Os filmes,  com curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, são curtas-metragens com duração média de 15 minutos, ideal para sala de aula, questionando as fotografias oficiais da guerra, lembrando rituais dos povos indígenas Kaingang e abordando idioma criado por hervalenses 40 anos depois do conflito para se comunicar na estação ferroviária, a conhecida grinfia ou Larfiagem. 

Após a exibição haverá debate mediado pelos convidados: Paulo Pinheiro Machado, professor titular do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a instituição,  e de Jilson Carlos Souza,  caboclo, educador e comunicador popular e integrante da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC). 

Serviço

Dia 18 de abril – segunda-feira
Horário: 19h30
Local: Cine Lúmine – Rua Lages, 17 – Curitibanos
Programação e ingressos em www.chicapelega.com.br 

Campos Novos recebe a 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega – contestado em foco

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Na segunda-feira, dia 11 de abril, Campos Novos recebe a Segunda Mostra de Cinema Chica Pelega – o contestado em foco. Serão cinco filmes exibidos durante o dia todo, no Cine Lúmine, que fica na Praça Lauro Muller, no Centro da cidade. A Mostra leva o nome da guerreira Chica Pelega, a  Francisca Roberta, resgatada por meio da memória oral do Conflito do Contestado e também propõem, por meio do cinema, uma valorização da cultura oral do povo caboclo, e uma tentativa de reparação histórica, visto que os livros didáticos – ou a historiografia oficial – pouco fala sobre quem perdeu a guerra – chamada de genocídio  pelo historiador Vicente Telles: “É canhão contra facão, isso é guerra ou genocídio?”. 

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi a guerra civil mais sangrenta que aconteceu na história do Brasil. Naquele tempo, o governo brasileiro entregou uma faixa de terra de 15 quilômetros a cada margem da ferrovia São Paulo X Rio Grande para o capital estrangeiro, liberando a exploração principalmente da madeira, que era farta. As pessoas que ali moravam e plantavam para as suas subsistências foram expulsas de suas terras – as quais não tinham um papel que lhes desse propriedade. E isso dava o direito ao capital estrangeiro de matá-los se fosse preciso para garantir essa posse.

Durante a Mostra, os horários diurnos serão dedicados às escolas públicas municipais e estaduais, que irão assistir a quatro curtas-metragens: Irani, do Rogério Sganzerla (1983), Olhar Contestado, da Fabiane Balvedi (2015), Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014), da Ilka Goldschmidt e do Cassiano Vitorino e Larfiagem (2017), da Gabi Bresola. 

Os filmes,  com curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, são curtas-metragens com duração média de 15 minutos, ideal para sala de aula, questionando as fotografias oficiais da guerra, lembrando rituais dos povos indígenas Kaingang e abordando idioma criado por hervalenses 40 anos depois do conflito para se comunicar na estação ferroviária, a conhecida grinfia ou Larfiagem. 

À noite, o curta-metragem Kiki, o Ritual da Resistência Kaingang (2014) da Margot Filmes, de Chapecó, abre a sessão. Ele mostra o ritual mais importante daquela etnia indígena, realizado anualmente, para que os falecidos recentes fizessem uma boa passagem ao mundo dos mortos (numbê). 

O Cine Lúmine abre as portas para todos os públicos também para que possam assistir ao longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke. Poe meio do grupo folclórico Renascença Cabocla, de Fraiburgo, devotos de São João Maria – ou joaninos, como são conhecidos – mantêm viva até hoje, a memória dos mortos em combate. O filme traz depoimentos de pesquisadores, é o primeiro de uma trilogia que foi produzido pela produtora Plural Filmes de Florianópolis sobre o conflito do contestado. 

Após a exibição haverá debate mediado pelos convidados: João Maria Chaves dos Santos, integrante do movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST) em SC desde 1984 e de Jilson Souza,  caboclo, educador e comunicador popular e integrante da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC). 

O projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.

SOBRE OS FILMES

terra cabloca posterTERRA CABOCLA

(Marcia Paraiso e Ralf Tambke, 2015, 82m)

Um povo simples, de crenças e rituais tradicionais habita a região do Planalto Catarinense. Símbolos de uma forte resistência cultural, os caboclos enfrentaram uma guerra de extermínio há 100 anos atrás, quando sofreram severos ataques de grandes fazendeiros, do Estado e das oligarquias que estavam de olho nas terras que o grupo ocupava. Apesar da Guerra do Contestado ter quase dizimado a cultura local, o povo caboclo conseguiu se reerguer e mantê-la viva até os dias atuais. 

Cartaz Novo KikiKIKI, O RITUAL DE RESISTÊNCIA KAINGANG 

(Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt, 2014, 34m)

Kiki é o ritual mais importante da etnia indígena. Foi realizado em 2011 na Aldeia Condá Chapecó/SC). De forma cronológica, são mostrados os preparativos na mata e na aldeia. A realização do ritual foi uma tentativa de revitalizar e fortalecer o dualismo Kaingang. O filme mostra, também, como a língua kaingang ainda hoje representa um importante signo dessa cultura, demonstrando que os indígenas mantêm sua identidade apesar da violência do contato com outras etnias.

Cartaz IraniIRANI

(Rogério Sganzerla, 1983 – 8 m)

O cineasta, com a câmera na mão, se mistura aos personagens da festa que marca o aniversário da Guerra do Contestado, na cidade de Irani. Uma câmera que se aproxima de frente aos cavalos, que imprime movimentos circulares, estabelece uma gramática que emerge, a partir da encenação que a população da cidade constrói. O filme é a sua maneira de olhar para o seu passado a fim de constituir uma história que lhe represente.

Cartaz OlharContestado mostra cinema chica pelegaOLHAR CONTESTADO

 (Fabianne Balvedi e Fernando Severo, 2012, 15m)

A animação de câmeras virtuais sobre registros fotográficos, ilustrações e desenhos rotoscopiados sobre documentários da época fornecem os elementos visuais necessários para a reconstituição minuciosa dos locais, personagens e eventos do conflito. As principais fotografias utilizadas são de Claro Jansson, fotógrafo contratado pela Madeireira Lumber, que registrou passagens fundamentais daquela que ficou conhecida como “Guerra Santa do Sul”. “O Contestado ainda é uma guerra cheia de interrogações, cheia de dúvidas, do que realmente aconteceu. Além do importante caráter histórico/documental, o filme se destaca pelo fato de ser aberto (filme e fontes disponibilizados livremente) e ter sido produzido com ferramentas livres.)

cartaz larfiagem mostra cinema chica pelegaLARFIAGEM

(Gabi Bresola, 2017, 18m)

Engraxates, carregadores de malas e outras crianças de 7 a 15 anos de idade conviviam com viajantes da estação ferroviária de Herval d’Oeste (SC), nos anos de 1950. Para sobreviver, comprar gibis e ir ao cinema, driblar fiscais, policiais e até os próprios pais, inventaram uma língua própria. Hoje, décadas depois,a Larfiagem aparece como memória de seus últimos falantes, agora septuagenários, mas que ainda conhecem, ensinam e decifram os segredos de seus substantivos e pronomes.