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2ª Mostra de Cinema Chica Pelega aguça o olhar para os povos da região do Contestado

Adolecentes sentados em cadeiras de cinema. Foto ampla, mostrando muitas pessoas.

Depois de passar por Campos Novos (11), Curitibanos (18) e Caçador (25) arrebatando 1790 estudantes de  70 turmas de 26 escolas estaduais e municipais, além do público espontâneo que pôde acompanhar as sessões abertas e gratuitas, à noite, sempre no Cine Lúmine, podemos garantir que a Mostra de Cinema Chica Pelega foi um sucesso. O Projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.

Foram oferecidas duas sessões-escola de manhã e duas de tarde para turmas de 8o, 9o e 3o  anos de escolas públicas dos municípios e Gerências Regionais de Educação (GERED) por onde a Mostra passou. Desta forma, pôde-se unir a experiência do audiovisual com as necessidades educacionais de ensino a respeito da Guerra do Contestado, conteúdo este relacionado aos filmes. 

Sob a curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, foram exibidos os curta-metragens Irani, do Rogério Sganzerla (1983);   Olhar Contestado, de Fabianne Balvedi e Fernando Severo (2015) e Larfiagem (2017), de Gabi Bresola. O primeiro curta-metragem é um registro em Super 8, câmera na mão, de um desfile cívico em homenagem à Guerra do Contestado, onde o cineasta filma de perto os cavalos e o discurso do folclorista Vicente Telles a respeito daquele conflito que teve sua batalha inicial naquele município. Já o filme de Fabianne Balvedi resgata as fotos do fotógrafo Claro Gustavo Jansson, o profissional contratado pela madeireira Lumber, para retratar a Guerra. Ela faz animação usando software livre e desta forma muda a percepção a respeito do caboclo. E finalmente, Larfiagem é o nome do linguajar criado em Herval d´Oeste, quarenta anos depois da guerra, por meninos que trabalhavam na estação ferroviária e quem conta a história são seus criadores, agora com 60, 70 anos. 

Além destes, à  noite, foi exibido o longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke, na sessão aberta ao público. O documentário é gravado em Fraiburgo e Lebon Régis, e mostra a fé cabocla das joaninas e joaninos, os devotos a São João Maria. Eles vivem os resquícios do Contestado, lembram o massacre e as almas que se perderam na guerra; as lutas que ainda estão de pé: pela terra, pela dignidade, pela vida. 

TURMA TELAO COLLAGE

Durante os debates, ao mesmo tempo que se externava uma gratidão por se trazer à tona um assunto tão importante e latente, que é o perceber-se como caboclos e caboclas, que é entender o seu jeito popular de falar, a história para além da historiografia oficial, é pensar quem faz este resgate e como ele é proposto, um grupo de artistas, que trabalha na periferia de Caçador, falam sobre a sua luta para ganhar visibilidade. Eles relatam a facilidade de brancos descendentes de europeus fazerem este debate em detrimento de pretos, pobres e caboclos, que ainda têm para eles ocultos estes espaços. Mesmo com todas as possibilidades de recursos postos à disposição para tanto. Foi uma conversa rica em elementos e um debate para ser estendido para outros espaços de atuação. 

Já houve convites de outros municípios para que uma Terceira edição da Mostra de Cinema Chica Pelega percorra outros caminhos dentro da região onde ocorreu a Guerra do Contestado. Interessados podem entrar em contato com a equipe de produção por meio deste link

Depois do sucesso da estreia, chegou a vez de Curitibanos receber a 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega

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A 2ª Mostra de Cinema Chica Pelega teve a sua estreia no dia 11 de abril no Cine Lúmine, em Campos Novos, onde mais de 700 estudantes da rede pública municipal e estadual tiveram acesso a filmes de cineastas e produtores catarinenses com temáticas envolvendo a Guerra do Contestado. Na segunda-feira, dia 18, será a vez de Curitibanos (Cine Lúmine – Queluz – Rua Lages, 17). 

Desta forma, une-se educação e cinema e se começa a pensar a partir do olhar e da percepção de cada um a respeito da sua identidade regional. O Projeto é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Lei Aldir Blanc e conta com a produção da VMS Produções e da Pupilo TV de Joaçaba.No dia 25, encerra-se o evento, em Caçador. 

A Mostra leva o nome da guerreira Chica Pelega, a  Francisca Roberta, resgatada por meio da memória oral do Conflito do Contestado e também propõem, por meio do cinema, uma valorização da cultura oral do povo caboclo, e uma tentativa de reparação histórica, visto que os livros didáticos – ou a historiografia oficial – pouco fala sobre quem perdeu a guerra – chamada de genocídio  pelo historiador Vicente Telles: “É canhão contra facão, isso é guerra ou genocídio?”. 

A Guerra do Contestado (1912-1916) foi o conflito civil mais sangrento que aconteceu na história do Brasil. Naquele tempo, o governo brasileiro entregou uma faixa de terra de 15 quilômetros a cada margem da ferrovia São Paulo X Rio Grande para o capital estrangeiro, liberando a exploração principalmente da madeira, que era farta. As pessoas que ali moravam e plantavam para as suas subsistências foram expulsas de suas terras – as quais não tinham um papel que lhes desse propriedade. E isso dava o direito ao capital estrangeiro de matá-los se fosse preciso para garantir essa posse.

Á noite, a 2a Mostra Chica Pelega, juntamente com o Cine Lúmine, abre as portas para o público poder acompanhar a exibição do curta-metragem Larfiagem (2017), da hervalense Gabi Bresola e para o longa-metragem Terra Cabocla (2015), de Márcia Paraíso e Ralf Tambke, da Plural Filmes, de Florianópolis.

Durante a Mostra, os horários diurnos já contam com mais de 10 escolas públicas em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e a GERED. Os estudantes irão assistir a quatro curtas-metragens de diferentes décadas com o propósito de unir as atividades escolares e o cinema. Os filmes são: Irani, do Rogério Sganzerla (1983), Olhar Contestado, da Fabiane Balvedi (2015) e Larfiagem (2017), de Gabi Bresola.

Os filmes,  com curadoria do cineasta joaçabense Rudolfo Auffinger, são curtas-metragens com duração média de 15 minutos, ideal para sala de aula, questionando as fotografias oficiais da guerra, lembrando rituais dos povos indígenas Kaingang e abordando idioma criado por hervalenses 40 anos depois do conflito para se comunicar na estação ferroviária, a conhecida grinfia ou Larfiagem. 

Após a exibição haverá debate mediado pelos convidados: Paulo Pinheiro Machado, professor titular do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, em parceria com a instituição,  e de Jilson Carlos Souza,  caboclo, educador e comunicador popular e integrante da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular (APAFEC). 

Serviço

Dia 18 de abril – segunda-feira
Horário: 19h30
Local: Cine Lúmine – Rua Lages, 17 – Curitibanos
Programação e ingressos em www.chicapelega.com.br